O shopping foi construído há quase 30 anos e o monitoramento pela CETESB só começou há sete. Até aí tudo bem. O que causa estranheza é que o foco do problema parece estar no shopping. O Carrefour, o Lar Center e o Cingapura entraram depois na história. É natural que todos se preocupem, mas a interdição proposta pela prefeitura é mais conveniente para quem quer se isentar de qualquer responsabilidade. Além disso, há uma confusão de palavras que criam mais insegurança para os que trabalham ou frequentam o shopping. Segundo a CETESB a “contaminação é crítica”; o risco de explosão é “potencial”,
mas não há necessidade de evacuação do prédio. A explosão não é iminente, mas aconselham aos lojistas abrir as lojas e deixar o ar circular antes de ligarem
as luzes. Próximo dali há um conjunto residencial, o Cingapura, o Pavilhão Expo Center Norte e outas áreas que, só agora a CETESB promete avaliar.
É importante esclarecer a população e não apenas assustá-la aventando a possibilidade de uma explosão com efeitos incalculáveis. A própria interdição é complicada. Para onde seriam mandados os moradores do Cingapura, por exemplo? Quem deverá arcar com os custos do sistema de drenos do conjunto, caso sejam necessários?
O Shopping conseguiu uma liminar para se manter aberto, recebeu multas, mas nada disso afasta o risco de acidentes no local. Por outro lado, não se pode deixar de pensar naqueles que vivem de comissões sobre o que vendem e que acabam diretamente afetados pelos boatos, riscos reais e medidas pouco claras para sanar o problema definitivamente. As dúvidas crescem ainda mais quando chegam informações de que o shopping trocou a empresa contratada para a instalação dos drenos. No contrato anterior, com valor mais alto, o shopping não enfrentou nenhum risco de fechamento. Agora, disposto a economizar, o quadro mudou completamente. A informação não é oficial, mas se verídica, desperta uma desconfiança ainda maior sobre todos os envolvidos.
Por essa razão, já foi protocolado um pedido de CPI sobre as áreas contaminadas, a fim de se observar a forma como o município vem tratando o problema.