Este slideshow necessita de JavaScript.
Nem o frio e o mau tempo prejudicaram o manifesto promovido pelos moradores que serão atingidos pela Operação Urbana Água Espraiada. Idosos e famílias inteiras foram às ruas no sábado (23) denunciar o que significa na prática o projeto do prefeito aprovado por 39 dos 55 vereadores.Aos 81 anos, “seu” Pedro conta que foi morar no Parque Jabaquara quando casou com dona Lídia há 50 anos. Os filhos nasceram e se criaram lá. Ele tem orgulho do jardim, das cinco árvores frondosas e das dezenas de vasos com plantas ornamentais que mantém e aponta Ana Lúcia, a vizinha que viu crescer. Se tiver de sair sabe que não terá como levar nada disso.
Uma outra mulher traz numa folha de papel o resumo do que passou para ter a casa que agora a prefeitura quer desapropriar. Outra moradora diz que vem pesquisando imóveis na região. Está tudo muito caro. Provavelmente será obrigada a buscar um imóvel em algum município vizinho. Buscar financiamento para quem tem mais de 60 anos é muito mais caro. Além disso, muitos são aposentados. Mal conseguem se manter com o que recebem. Não podem assumir mais uma despesa.
José Armando, um dos organizadores do movimento, destaca aspectos técnicos do projeto. Segundo ele, onde a prefeitura alega não ter parque, ele existe e o túnel previsto no projeto não dará condições de retorno até o km 10 da Imigrantes e quem está no bairro será brigado a voltar para pegar a única via segregada para acessar a Imigrantes. Para ele, os 39 vereadores que apro9varam o projeto deram um cheque em branco à prefeitura.
Contrário ao projeto, o vereador Adilson Amadeu (PTB) apoia o movimento e se solidariza com os moradores. Apesar de ter apresentado um substitutivo para alterar o projeto do executivo foi vencido pela bancada governista. O prefeito aprova o que quer e como quer, diz Adilson Amadeu. Duvido que todos os vereadores que votaram “sim” conheçam essa área, tenham estado aqui. O projeto não trata de casas, trata de pessoas e vidas e nada disso tem preço.
Os moradores ainda pretendem recorrer à justiça para barrar o projeto que já virou lei. Só esperam que ela não demore a se manifestar.