Diante das citações publicadas pelo jornal Folha de São Paulo, o vereador Adilson Amadeu esclarece:
“Desde que cheguei a Câmara Municipal, em 2005, tenho trabalhado pela reorganização e revitalização do Brás, região onde nasci, cresci e mantenho minha empresa. Vale lembrar que, na época, o chamado Pátio do Pari não era ainda ocupado pela atual Feira da Madrugada. Os ambulantes se concentravam no Largo na Concórdia e nas ruas adjacentes e, principalmente, na rua Oriente onde o comércio de rua noturno estava instalado livre de qualquer tipo de fiscalização. Esse comércio havia crescido a tal ponto que gerava queixas de todo tipo: barulho, segurança e até de saúde pública. Desde então tenho me manifestado publicamente no plenário, através da imprensa e, oficialmente, junto ao executivo e a diversos órgãos públicos municipais, estaduais e federais pedindo providências. Dois prefeitos, três secretários de coordenação das subprefeituras e três subprefeitos depois o que se observa é o resultado dessa omissão. Um empreendimento que sequer existia nasceu, cresceu e se mantém de forma completamente irregular, transformando o Pátio do Pari numa zona franca, numa terra de ninguém, apesar das recentes, tímidas e equivocadas ações da prefeitura.
Sou acusado de perseguir um empresário quando, na verdade, deveriam há muito ter investigado quem o protegia e por que? Durante 5 anos, a GSA operou livremente sem que a Feira da Madrugada fosse alvo de qualquer tipo de fiscalização. As poucas centenas de ambulantes que inicialmente se instalaram lá hoje concorrem com empresários capazes de pagar altas somas para se estabelecer no local. Às velhas barracas se juntam novos boxes de alvenaria sem qualquer tipo de licença.
A Comissão de Estudos sobre a Feira da Madrugada, que presido, apurou problemas inaceitáveis para um espaço que, desde o ano passado, vem sendo administrado pela prefeitura. O lugar não dispõe de rotas de fuga sinalizadas, sistema de combate de incêndio dimensionado para o espaço, extintores e brigada de incêndio treinada para operá-los; sem falar no comércio de produtos piratas e contrabandeados. Vale lembrar também que o ex-gestor da Feira da Madrugada, indicado pela prefeitura, foi exonerado e uma servidora afastada das suas funções no dia seguinte ao depoimento que deram na Câmara, junto à comissão que presido.
Me causa estranheza que essa carta endereçada ao prefeito e aos secretários Ronaldo Camargo e Marcos Cintra tenha “aparecido” justamente nessa semana, quando novamente pedi pessoalmente e via e-mail informações ao secretário Edson Ortega sobre o papel da prefeitura e da GCM na Operação Delegada. Quero saber quem apreende, seleciona, identifica os produtos piratas/contrabandeados, guarda as mercadorias ilegais e onde estão os depósitos da prefeitura para esse fim. Estamos falando em milhões de produtos. Em abril, a GCM guardava mais de 15 mil sacos de mercadorias em Guarulhos que, a meu ver, deveriam ter sido encaminhados aos responsáveis pelo inquérito policial. Nunca recebi explicação para o fato, apesar dos questionamentos feitos.
Minhas ações contra o comércio ilegal estão registradas antes, durante e depois da chegada da GSA ao Brás e, portanto, não cabe falar em perseguição ou chantagem. Acredito, sim, que há muita gente incomodada e apreensiva com os avanços do trabalho da comissão. Quem busca “acordos” não age de forma pública e oficial como tenho feito.
Adilson Amadeu – vereador/PTB e presidente da Comissão de Estudos Sobre a Feira da Madrugada.